O Assunto #342: Epidemia eterna na terra yanomami

Sarampo, gripe, malária. Ao longo de décadas de contato e do avanço da exploração da Amazônia, os yanomamis já enfrentaram várias doenças trazidas pelos brancos. Agora, é a Covid-19 que se alastra pelo território, impulsionada pelo garimpo, assim como a malária. Em apenas três meses, o número de casos do novo coronavírus cresceu 250% na Terra Indígena Yanomami. Lideranças e pesquisadores denunciam a presença de milhares de garimpeiro na reserva. Você pode ouvir O Assunto no G1, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, no Deezer, na Amazon Music, no Hello You ou no aplicativo de sua preferência. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio no ar. Em três meses, o números de casos de Covid-19 deu um salto de 250% na maior reserva indígena do Brasil, que se estende pelos Estados do Amazonas e de Roraima, onde vivem cerca de 27 mil índios das etnia yanomami e Ye'kwana. Lá o novo coronavírus, combinado à ressurgência da malária, deixa um rastro de mortes bem conhecido do povo, que ao longo de décadas foi dizimado por gripe, sarampo e outras doenças trazidas pelo homem branco. Em especial pelos garimpeiros -na estimativa dos yanomamis, eles são hoje cerca de 20 mil, praticando atividade ilegal no território e contaminando sua população com o novo coronavírus. “O garimpo pra gente é uma doença, que mata a pessoa, que mata o ambiente, que mata os rios”, diz em entrevista a Renata Lo Prete Dario Kopenawa, filho de Davi e vice-presidente da Associação Hutukara, que representa os yanomami. Dario estabelece a relação entre os períodos de avanço do garimpo e a sucessão de epidemias que foram ceifando a etnia. Ele também explica o trabalho dos xamãs, dos “médicos da floresta”, e do autocuidado para compensar a progressiva omissão do poder público. E relata em detalhes o encontro que teve em julho com o vice-presidente Hamilton Mourão para formalmente dar ciência dos crimes que estão ocorrendo na reserva. Desde então, nada aconteceu para interromper esse processo. Dario fala ainda da destruição da Amazônia: “Se vocês não pararem de desmatar, a Terra vai ser muito brava com vocês”. O que você precisa saber: Coronavírus avança 250% em três meses na Terra Yanomami e relatório cita 'total descontrole' Vídeo: líder Yanomami alerta sobre destruição da floresta e avanço da Covid-19 em terra indígena Garimpeiros podem levar coronavírus à Terra Yanomami e causar genocídio Congresso Nacional recebe projeções em defesa de terras indígenas e contra garimpo ilegal O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Isabel Seta, Gessyca Rocha, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski, Renata Bitar, Vitor Muniz e Giovanni Reginato. Apresentação: Renata Lo Prete Comunicação/Globo O que são podcasts? Um podcast é como se fosse um programa de rádio, mas não é: em vez de ter uma hora certa para ir ao ar, pode ser ouvido quando e onde a gente quiser. E em vez de sintonizar numa estação de rádio, a gente acha na internet. De graça. Dá para escutar num site, numa plataforma de música ou num aplicativo só de podcast no celular, para ir ouvindo quando a gente preferir: no trânsito, lavando louça, na praia, na academia... Os podcasts podem ser temáticos, contar uma história única, trazer debates ou simplesmente conversas sobre os mais diversos assuntos. É possível ouvir episódios avulsos ou assinar um podcast – de graça - e, assim, ser avisado sempre que um novo episódio for publicado.

O Assunto #342: Epidemia eterna na terra yanomami

Sarampo, gripe, malária. Ao longo de décadas de contato e do avanço da exploração da Amazônia, os yanomamis já enfrentaram várias doenças trazidas pelos brancos. Agora, é a Covid-19 que se alastra pelo território, impulsionada pelo garimpo, assim como a malária. Em apenas três meses, o número de casos do novo coronavírus cresceu 250% na Terra Indígena Yanomami. Lideranças e pesquisadores denunciam a presença de milhares de garimpeiro na reserva. Você pode ouvir O Assunto no G1, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, no Deezer, na Amazon Music, no Hello You ou no aplicativo de sua preferência. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio no ar. Em três meses, o números de casos de Covid-19 deu um salto de 250% na maior reserva indígena do Brasil, que se estende pelos Estados do Amazonas e de Roraima, onde vivem cerca de 27 mil índios das etnia yanomami e Ye'kwana. Lá o novo coronavírus, combinado à ressurgência da malária, deixa um rastro de mortes bem conhecido do povo, que ao longo de décadas foi dizimado por gripe, sarampo e outras doenças trazidas pelo homem branco. Em especial pelos garimpeiros -na estimativa dos yanomamis, eles são hoje cerca de 20 mil, praticando atividade ilegal no território e contaminando sua população com o novo coronavírus. “O garimpo pra gente é uma doença, que mata a pessoa, que mata o ambiente, que mata os rios”, diz em entrevista a Renata Lo Prete Dario Kopenawa, filho de Davi e vice-presidente da Associação Hutukara, que representa os yanomami. Dario estabelece a relação entre os períodos de avanço do garimpo e a sucessão de epidemias que foram ceifando a etnia. Ele também explica o trabalho dos xamãs, dos “médicos da floresta”, e do autocuidado para compensar a progressiva omissão do poder público. E relata em detalhes o encontro que teve em julho com o vice-presidente Hamilton Mourão para formalmente dar ciência dos crimes que estão ocorrendo na reserva. Desde então, nada aconteceu para interromper esse processo. Dario fala ainda da destruição da Amazônia: “Se vocês não pararem de desmatar, a Terra vai ser muito brava com vocês”. O que você precisa saber: Coronavírus avança 250% em três meses na Terra Yanomami e relatório cita 'total descontrole' Vídeo: líder Yanomami alerta sobre destruição da floresta e avanço da Covid-19 em terra indígena Garimpeiros podem levar coronavírus à Terra Yanomami e causar genocídio Congresso Nacional recebe projeções em defesa de terras indígenas e contra garimpo ilegal O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Isabel Seta, Gessyca Rocha, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski, Renata Bitar, Vitor Muniz e Giovanni Reginato. Apresentação: Renata Lo Prete Comunicação/Globo O que são podcasts? Um podcast é como se fosse um programa de rádio, mas não é: em vez de ter uma hora certa para ir ao ar, pode ser ouvido quando e onde a gente quiser. E em vez de sintonizar numa estação de rádio, a gente acha na internet. De graça. Dá para escutar num site, numa plataforma de música ou num aplicativo só de podcast no celular, para ir ouvindo quando a gente preferir: no trânsito, lavando louça, na praia, na academia... Os podcasts podem ser temáticos, contar uma história única, trazer debates ou simplesmente conversas sobre os mais diversos assuntos. É possível ouvir episódios avulsos ou assinar um podcast – de graça - e, assim, ser avisado sempre que um novo episódio for publicado.